"De Públio a Emmanuel"


Filho de Deus

"Terminado o relato, a jovem senhora concluiu com entusiasmo:

- Desde que saíste, eu e Ana oramos com fervor junto da nossa doentinha, implorando ao Profeta que atendesse ao teu apelo, ouvindo os nossos rogos e agora, eis que a nossa filhinha se restabelece!... Poderá, querido, haver felicidade maior do que esta?... Ah, Jesus deve ser um emissário direto de Júpiter, enviado a este mundo em gloriosa missão de amor e de alegria para todas as almas!...

Ana, porém, que escutava comovida, interveio num gesto espontâneo e incoercível, oriundo da grata satisfação daquele momento:

- Não, minha senhora!... Jesus não vem da parte da Júpiter. Ele é o Filho de Deus, seu Pai e nosso Pai que está nos céus, e cujo coração está sempre cheio de bondade e misericórdia para todos os seres, conforme o Mestre nos ensina. Louvemos, pois, o Todo Poderoso, pela graça recebida, agradecendo a Jesus com uma prece humilde..."



Escrito por Fátima Fernandes às 10h25
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A cura de Flavinha.

Públio Lentulus volta à casa com uma torrente de idéias antagônicas represando-lhe o cérebro acerca daquelas palavras agora arquivadas para sempre no âmago da sua consciência.

"Deveria ele, então, abandonar as suas mais caras tradições de pátria e família para tornar-se um homem humilde e irmão de todas as criaturas? (...)

Subiam-lhe, do coração ao cérebro outros apelos comoventes. Não falara o Profeta da oportunidade única e maravilhosa? Não prometera, com firmeza, a cura da filhinha à conta da fé ardente de Lívia?

Mergulhado nessas cogitações íntimas, abriu cautelosamente a porta da residência, encaminhando-se ansioso ao quarto da enferma e, oh!, suave milagre! a filhinha repousava nos braços de Lívia, com absoluta serenidade.

Sobre-humana e desconhecida força mitigara-lhe os padecimentos atrozes, porque seus olhos deixavam entrever uma doce satisfação infantil, iluminando-lhe o semblante risonho. Lívia contou-lhe, então, cheia de júbilo maternal, que, em dado momento, a pequenina dissera experimentar na fronte o contato de mãos carinhosas, sentando-se em seguida no leito, como se uma energia misteriosa lhe vitalizasse o organismo de maneira imprevista. Alimentara-se, a febre desaparecera contra todas as expectativas; ela já revelava atitudes de convalescente palestrando com a mãezinha, com a graça espontânea da sua meninice."

 



Escrito por Fátima Fernandes às 19h25
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Um santuário de meditações...

O Senador quis falar, mas a voz tornara-se-lhe embargada de comoção e de profundos sentimentos.

Desejou retirar-se, porém, nesse momento, notou que o Profeta de Nazaré se transfigurava, de olhos fitos no céu...

Aquele sítio deveria ser um santuário de suas meditações e de suas preces, no coração perfumado da Natureza, porque Públio adivinhou que ele orava intensamente, observando que lágrimas copiosas lhe lavavam o rosto, banhado então por uma claridade branda, evidenciando a sua beleza serena e indefinível melancolia...

Nesse instante, contudo, suave torpor paralisou as faculdades de observação do patrício, que se aquietou estarrecido.

Deviam ser vinte e uma horas, quando o Senador sentiu que despertava.

Leve aragem acariciava-lhe os cabelos e a Lua entornava seus raios argênteos no espelho carinhoso e imenso das águas.

 



Escrito por Fátima Fernandes às 16h09
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Públio fitou aquele homem extraordinário, cujo desassombro provocava admiração e espanto.

Humildade? Que credenciais lhe apresentava o profeta para lhe falar assim, a ele senador do Império, revestido de todos os poderes diante de um vassalo?

Num minuto, lembrou a cidade dos césares, coberta de triunfos e glórias, cujos monumentos e poderes acreditava, naquele momento, fôssem imortais.

"- Todos os poderes do teu império são bem fracos e todas as suas riquezas bem  miseráveis...

As magnificências dos césares são ilusões efêmeras de um dia, porque todos os sábios, como todos os guerreiros, são chamados no momento oportuno aos tribunais da justiça de meu Pai que está no Céu. Um dia, deixarão de existir as suas águias poderosas, sob um punhado de cinzas misérrimas. Suas ciências se transformarão ao sopro dos esforços de outros trabalhadores mais dignos de progresso, suas leis iníquas serão tragadas no abismo tenebroso destes séculos de impiedade, porque só um lei existe e sobreviverá aos escombros da inquietação do homem - a lei do amor, instituída por meu Pai, desde o princípio da criação...

Agora, volta ao lar, consciente das responsabilidades do teu destino...

Se a fé instituiu na tua casa o que consideras a alegria com o restabelecimento de tua filha, não te esqueças que isso representa um agravo de deveres para o teu coração, diante de nosso Pai, Todo-Poderoso!..." 

 



Escrito por Fátima Fernandes às 18h38
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"Hora indeterminável da redenção..."

"- Não, meu amigo, não estás sonhando... - exclamou meigo e enérgico o Mestre, adivinhando-lhe os pensamentos. - Depois de longos anos de desvio do bom caminho, pelo sendal dos erros clamorosos, encontras, hoje, um ponto de referência para a regeneração de toda a tua vida.

Está, porém, no teu querer o aproveitá-lo agora, ou daqui a alguns milênios... Se o desdobramento da vida humana está subordinado às circunstâncias, és obrigado a considerar que elas existem de toda a natureza, cumprindo às criaturas a obrigação de exercitar o poder da vontade e do sentimento, buscando aproximar seus destinos das correntes do bem e do amor aos semelhantes.

Soa para  o teu espírito, neste momento, um minuto glorioso, se conseguires utilizar tua liberdade para que seja ele, em teu coração, doravante, um cântico de amor, de humildade e de fé, na hora indeterminável da redenção, dentro da eternidade...

Mas, ninguém poderá agir contra a tua própria consciência, se quiseres desprezar indefinidamente este minuto ditoso!

Pastor das almas humanas, desde a formação deste planeta, há muitos milênios venho procurando reunir as ovelhas tresmalhadas, tentando trazer-lhes ao coração as alegrias eternas do reinado de Deus e de sua justiça!..." 

 



Escrito por Fátima Fernandes às 18h16
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"Senador, porque me procuras?"



Escrito por Fátima Fernandes às 20h00
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Personalidade inconfundível e única



Escrito por Fátima Fernandes às 20h46
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Procurando Jesus...



Escrito por Fátima Fernandes às 20h18
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Pedido de Flávia



Escrito por Fátima Fernandes às 18h14
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Sarau de Emmanuel e Lívia



Escrito por Fátima Fernandes às 14h13
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Pequeninos

Enquanto Públio e Sulpício teciam comentários sobre Jesus de Nazaré, vamos encontrar Lívia no quarto da pequena Flávia, junto a Ana. "Naquele deserto de corações, era naquela serva, inteligente e afetuosa, que a alma sensível de Lívia encontrara um oásis para as confidências e lutas de cada dia."
As duas trocavam confidências sobre o Messias. Ana comentava com sua senhora os acontecimentos de uma tarde em Cafarnaum...
 
"Ao sair da barca de Simão, nós o esperávamos em massa, para lhe beber os ensinos consoladores. Precipitámo-nos para ele, ansiosos todos de receber ao mesmo tempo os sagrados eflúvios da sua presença consoladora, mas, nesse dia, muitas mães compareceram à prédica, conduzindo os filhinhos que se confundiam em algazarra ensurdecedora, como um bando de passarinhos inconscientes. Simão e mais alguns discípulos começaram a repreender severamente os meninos, a fim de que não perdêssemos o encanto suave e doce das palavras do Mestre. Mas, quando menos esperávamos, sentou Ele na pedra costumeira e exclamou com indizível ternura:
 
 -"Deixai vir a mim os pequeninos, porque o reino do céu lhes pertence."
 
Houve então prodigioso silêncio entre os ouvintes de Cafarnaum e os peregrinos que haviam chegado de Corazim e de Magdala, enquanto aqueles petizes trêfegos acorriam ao seu regaço amoroso, beijando-lhe a túnica com indizível alegria.Muitas crianças eram enfermas que as mães conduziam às pregações do lago, para que se curassem de mazelas antigas, ou de doenças consideradas incuráveis..."
 


Escrito por Fátima Fernandes às 14h55
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Apresentação Teatral



Escrito por Fátima Fernandes às 23h15
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Sobre o Mestre de Nazaré...



Escrito por Fátima Fernandes às 19h36
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Apresentação Teatral



Escrito por Fátima Fernandes às 11h59
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Apelo secreto do coração



Escrito por Fátima Fernandes às 21h44
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