Um escravo...
O jovem Saul desaparecera do cárcere, fazendo crer numa fuga desesperada e imprevista. Os informes foram transmitidos à autoridade superior, sem que Públio Lentulus viesse a saber que os maus servidores do Estado negociavam, muitas vezes, os prisioneiros jovens com os ambiciosos mercadores de escravos, que operavam nos centros mais populosos da capital do mundo.(...)
Em quase todas as províncias romanas funcionavam terríveis agrupamentos de malfeitores, que vivendo à sombra da máquina do Estado, haviam se transformado em mercadores de consciências.
O moço judeu, na sua juventude promissora e sadia, fora vítima dessas criaturas desalmadas. Vendido clandestinamente a poderosos escravocratas de Roma, em companhia de muitos outros, foi embarcado no antigo porto de Jope, rumo à Capital do Império.(...)
Lá chegando, foi vendido em praça pública, para atender ao serviço das bigas dos filhos de Flamínio.
Foi assim que, imbuído de sentimentos ignóbeis e deploráveis, Saul, o filho de André, foi introduzido, pelas forças do destino, junto de Plínio e de Agripa, na residência da família Severus, no coração de Roma, ao preço miserável de quatro mil sestércios.

Escrito por Fátima Fernandes às 01h06
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