"Um Galileu ainda moço..."
"Fiquei realmente intrigado com a figura impressionante de um Galileu ainda moço, quando passava, há alguns dias, por Cafarnaum...
Ao centro de uma praça, acomodada em bancos improvisados, feitos de pedra e de areia, vi considerável multidão que lhe ouvia a palavra, em êxtase de admiração e comoção...
De sua personalidade extraordinária de beleza simples, vinha um "não sei quê", dominando a turba que se aquietava, de leve, ouvindo-lhe as promessas de um eterno reinado... Seus cabelos esvoaçam às brisas da tarde mansa, como se fossem fios de luz desconhecida nas claridades serenas do crepúsculo; e de seus olhos compassivos parecia nascer uma onda de piedade e de comiseração infinitas.
Descalço e pobre, notava-se-lhe a limpeza da túnica, cuja brancura se casava à leveza dos seus traços delicados.
Sua palavra era como cântico de esperança a todos os sofredores do mundo, suspenso entre o céu e a terra, renovando os pensamentos de quantos o escutavam...
Falava de nossas grandezas e conquistas como se fossem coisas bem miseráveis, fazia amargas afirmativas acerca das obras monumentais de Herodes, de Sebasto, asseverando que acima de César está um Deus Todo-Poderoso, providência de todos os desesperados e de todos os aflitos...
No seu ensinamento de humildade e amor, considera todos os homens como irmãos bem-amados, filhos desse Pai de misericórdia e justiça, que nós não conhecemos...
A voz de Sulpício estava saturada do tom emocional característico dos sentimentos filhos da verdade."

Um dia ainda veremos Jesus, na grandiosidade da "leveza de seus traços delicados". Porém, enquanto assim não acontece, recorremos às ilustrações da Terra que, mesmo pálidas ainda, nos recordam a sua imagem...
Escrito por Fátima Fernandes às 22h21
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