A cura de Flavinha.
Públio Lentulus volta à casa com uma torrente de idéias antagônicas represando-lhe o cérebro acerca daquelas palavras agora arquivadas para sempre no âmago da sua consciência.
"Deveria ele, então, abandonar as suas mais caras tradições de pátria e família para tornar-se um homem humilde e irmão de todas as criaturas? (...)
Subiam-lhe, do coração ao cérebro outros apelos comoventes. Não falara o Profeta da oportunidade única e maravilhosa? Não prometera, com firmeza, a cura da filhinha à conta da fé ardente de Lívia?
Mergulhado nessas cogitações íntimas, abriu cautelosamente a porta da residência, encaminhando-se ansioso ao quarto da enferma e, oh!, suave milagre! a filhinha repousava nos braços de Lívia, com absoluta serenidade.
Sobre-humana e desconhecida força mitigara-lhe os padecimentos atrozes, porque seus olhos deixavam entrever uma doce satisfação infantil, iluminando-lhe o semblante risonho. Lívia contou-lhe, então, cheia de júbilo maternal, que, em dado momento, a pequenina dissera experimentar na fronte o contato de mãos carinhosas, sentando-se em seguida no leito, como se uma energia misteriosa lhe vitalizasse o organismo de maneira imprevista. Alimentara-se, a febre desaparecera contra todas as expectativas; ela já revelava atitudes de convalescente palestrando com a mãezinha, com a graça espontânea da sua meninice."

Escrito por Fátima Fernandes às 19h25
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